O rock brasileiro dos anos 80 não voltou. Ele nunca foi embora.
O Parque Ibirapuera recebe neste fim de semana, 22 e 23 de agosto, a primeira edição do C6 no Rock, festival dedicado ao rock brasileiro produzido nos anos 1980. A programação reúne Titãs, Paralamas do Sucesso, Ira!, Blitz, Plebe Rude, Paulo Ricardo e Marina Lima, além de homenagens a Rita Lee e Cazuza.
O festival poderia ser apenas uma celebração nostálgica.
Mas existe uma leitura mais interessante.
O público que está chegando hoje à música não necessariamente viveu os anos 80. Para uma parcela dessa geração, discos como Cabeça Dinossauro, Selvagem? e Vivendo e Não Aprendendo não representam lembranças de juventude.
Representam descobertas.
Essa diferença é importante.
O festival aposta justamente na força dos álbuns. Em vez de transformar os artistas em uma sequência de grandes sucessos, a programação recupera trabalhos inteiros que ajudaram a construir a identidade do rock nacional.
Em uma época dominada por singles, playlists e músicas pensadas para conquistar atenção rapidamente, colocar um álbum clássico novamente no centro do palco é quase uma provocação.
É como dizer que ainda existe espaço para ouvir uma obra com começo, meio e fim.
Talvez seja por isso que a música dos anos 80 continue tão presente.
Não porque o público queira viver novamente naquela década, mas porque algumas músicas continuam dizendo coisas que ainda fazem sentido hoje.
O C6 no Rock, nesse sentido, não é apenas uma viagem ao passado.
É uma conversa entre gerações.









